Friday, August 17, 2007

As pessoas editam as suas vidas através do que falam

A construção do imaginário está relacionada com as trocas entre as vontades do homem e as possibilidades da natureza (DURAND, 1999). O homem quando imagina alguma coisa baseia-se em suas experiências de vida, ou seja, experiências reais. Por isso, o homem quando imagina alguma coisa está relacionando a sua idéia com algo que já ocorreu, ou que desejasse que ocorresse. Por isso, a natureza passa a fazer um importante papel na construção do imaginário, pois a limitação natural é muitas vezes o que nos leva a imaginar alguma coisa. Por exemplo, o desejo humano de voar que cria o super-herói, ou ainda dentro desse campo de imaginação os monstros criados representando os nossos medos das pragas.

O estudo da imagem está relacionado com esse imaginário, já que a imagem é "uma coisa (material ou imaterial, natural, registrada ou 'fabricada") que se parece a outra coisa" (JOLY, 1993). Então, a construção dessa representação passa a ser algo totalmente imaginário. Por exemplo, ao ver-se um anúncio publicitário de uma revista está se fazendo a leitura de um produto, que está sendo representado por uma imagem. A pessoa que está vendo a publicidade irá imaginar essa representação que é construída considerando a sua experiência.

Esse tema, da representação da imagem preocupa muito gente. Pois, estamos falando da fabricação de uma imagem para representar o real. Por exemplo, quando se está editando uma matéria, o repórter está fabricando uma imagem para representar determinada informação. Nesse ponto é que há a grande crítica da sociedade, pois a construção pode estar sendo manipulada. O repórter pode fabricar a imagem que deseja representar e por isso as edições são tão criticadas. Ele está editando a veracidade dos fatos.

A questão foi levantada na aula de hoje de Comunicação Imagética e Design do pós pela professora Elisa Piedras. Após nos apresentar as questões de como é a construção do imaginário e da imagem, ela nos fez refletir da credibilidade das edições que são tão criticadas. Quem não se lembra da famosa edição do debate entre o Lula e o Collor? Dentro desse contexto, de forma genial, a Elisa fez o seguinte questionamento: "As pessoas não editam suas vidas através do que falam?".

O exemplo não foi passado com a intenção de se discutir do que é certo ou errado nas edições, ou se as pessoas são ou não sinceras. A questão em relevância nesse momento é a construção da imagem, do imaginário, de como o imaginário está próximo do concreto e quão real é o concreto. Na verdade, seria mais correto dizer de que um lado está o simbólico e do outro o concreto. Pois, se falarmos de real podemos estar caindo no erro de afirmar que o abstrato não é real. Ou seja, uma comunidade abstrata na Web não poderia ser considerada real. Na verdade, ela é real de forma simbólica representada pelo abstrato. Ela não é concreta materialmente, mas existe de forma virtual, abstrata e simbolicamente.

O que vale dizer é que para se fazer pesquisa na Web, esses conceitos são extremamente necessários, já que a Internet constrói uma realidade num mundo virtualmente abstrato, onde o imaginário parece não ter limites, porém sempre levando em conta a questão da natureza.

Agora, posso entender conceitualmente porque muitas linhas de cursos de pós-graduação, que trabalham com as tecnologias, levam o nome imaginário.

*Autores para aprofundar o tema: Barthes, Durand, Rocca, Joly e Baudrilad.

2 comments:

Gabriela Zago said...

É por essas e outras que eu não suporto mais as as aulinhas superficiais da graduação...
quero ter aulas de verdade, que nos faça pensar... como essa
o mais cruel é que os professores são os mesmos ¬¬

Gilberto Balbela Consoni said...

Bom, tu sabes que se dependesse de mim, eu te entregava o diploma e te mandava embora né :p

Agora, realmente é muito bom quando os professores nos colocam para pensar. Alguns já exigiam isso na graduação, mas no pós isso é freqüente.

A aula de hoje, também, está sendo bem produtiva. Só tem um porém, na minha nova sala a rede sem fio não pega. Bom, depois te conto mais da aula, ou se tiver algo relevante eu faço outro post :)