Na aula de ontem, do Pós-Graduação que estou cursando, discutia-mos a questão de uma sociedade midiatizada que vivemos na atualidade. O professor que provia o tema era o Dr. Antônio Fausto Neto que tendeciou a focar-se em interação mediada por computador e na emergência de manter-se informado dos mais variados temas que circulam pela rede.
A interação humana na Web é um assunto que tem interessado diversos pesquisadores partindo-se da idéia de que cada vez mais pessoas passam a utilizar de máquinas para estabelecer seus sistemas comunicacionais. A propósito, esse é o nome da disciplina de Fausto no curso, Sistemas Comunicacionais. Nós passamos a utilizar a Web para contatos comuns do cotidiano, antes mantidos exclusivamente de forma presencial. Amigos, famílias, colegas profissionais, clientes e fornecedores passam a utilizar a Internet como um canal de comunicação para manter relacionamentos.
A questão de profissionais, amigos e familiares distantes estarem utilizando a rede para tal fim parece bem óbvio, seja por questões financeiras ou por distância geográfica. Mas, a questão é porque interagentes que estão próximos passam a utilizar a Internet para estabelecer suas relações? Fausto colocou em discussão o resultado de pesquisadores que perceberam que as pessoas não utilizam a rede simplesmente no intuito de explorar as possibilidades de democratização da informação que ela oferece, mas sim pela construção de um eu virtual que faz com que se use da Web para estabelecer novos laços.
Os laços sociais na Internet são também colocados por outra professora do Pós, a Raquel Recuero. Ela relaciona essa questão para justificar a participação dos usuários nas redes de relacionamento como Facebook ou Orkut. Mas, seguindo esse aspecto, pode-se dizer que a busca é tanbém por um capital social na Internet a fim de não se estar excluso dessa sociedade midiatizada.
Há então esses que se utilizam da Web em busca de capital social, mas os outro interagentes estão em busca do que? Por que as pessoas passam a criar relacionamentos na Internet a ponto de levar a público assuntos que antes eram exclusivos da vida privada?
O tema será desenvolvido num estudo que estou iniciando para compreender de forma mais aprofundada as interações mediadas por computador. Mesmo sabendo que diversos autores publicaram sobre isso e já conhecendo alguns, acho necessário desenvolver essa pesquisa para estar bem embasado para um futuro trabalho que venha a fazer num curso mais avançado. Postarei aqui com mais freqüência sobre isso, para compartilhar o avanço do trabalho, já que seus resultados darão origem à minha monografia do Pós.
O outro tema abordado na aula diz respeito à velocidade da informação na rede, da emergência manter-se informado. Nesse aspecto, novas lacunas se abrem em diversas linhas a serem seguidas. Não estarei escrevendo mais a respeito sobre isso nesse momento, mas abaixo referencio uma citação de Muniz Sodré sobre o assunto, para registrar a nossa conversa com Fausto e também para estender a discussão.[A] midiatização é uma ordem de mediações socialmente realizadas – um tipo particular de interações, portanto, a que poderíamos chamar de tecnomediações – caracterizadas por uma espécie de realidade sensível, denominada medium. Trata-se de dispositivo cultural historicamente emergente no momento em que o processo da comunicação é técnica e mercadológica redefinido pela informação, isto é, por um produto a serviço da lei estrutural do valor, também conhecida como capital. (SODRÉ apud MORAES, 2006, p. 20 -21)
Ele aborda a questão da sociedade midiatizada saturada de informações. Os 15 minutos de fama de antigamente não são mais suficientes para a atual conjuntura de uma sociedade midiatizada. Fala de uma “hiperinflação audiovisual” (p. 10) relacionando-a ao mundo globalizado.
BIBLIOGRAFIA
Para quem deseja conhecer mais sobre relacionamentos na Web, Fausto indica os seguintes autores: Christopher Lasch; Anthony Giddens e Gilles Lipovetsky. Deste último ele aconselha a obra A felicidade paradoxal.
Sunday, December 02, 2007
Por que a Internet é utilizada para a interação humana?
Friday, June 22, 2007
Internet democratiza ou exclui?
As novas tecnologias permitem uma gama extraordinária de opções para a democratização da informação. As informações disponíveis na rede podem ser acessadas de qualquer local e isso contribui para que as pessoas tenham um acesso a informações que antes eram impossibilitadas devido às restrições geográficas. Ainda relacionado às novas, existem espaços na Web que possibilitam a veiculação de opiniões de quaisquer pessoas. Ou seja, passa a existir na rede um novo espaço de discussão. Mas, essas possibilidades me parecem ser de consentimento da maioria. No entanto, a grande questão é se essas novas possibilidades de democratização da informação realmente podem ser consideradas verdadeiras ao levarmos em conta a Exclusão Digital que há na maioria dos países, principalmente os em desenvolvimento como é o caso do Brasil. Passo a abordar um pouco desse tema estimulado pela aula de hoje do Site do Pós que estou participando, onde a professora Blog da Raquel deixou após a sua brilhante explanação que partiu da discussão da sociedade e a Pós-modernidade falando da era da informação e deixou as seguintes questões: 1. Apesar de novas potencialidades democráticas, as TCIS apresentam o sério problema da exclusão digital da sociedade da informação. A partir do que venho estudando em Comunicação há alguns anos, posso já concluir que a Internet realmente possibilita tal democratização da informação. Penso que a rede permite a criação de espaços para que cidadãos comuns coloquem para o grande público seus pontos de vista e que a partir daí surjam espaços de discussão. Como é o caso dos blogs e dos seus comentários. Os veículos de comunicação tradicionais, como a Folha de S. Paulo por exemplo, tentam cada vez mais poder contar a participação dos seus leitores. Como agora que eles passam a utilizar a mesma estratégia que o Terra usou com o VC Repórter para garantir a sua audiência. Sim, agora há um espaço no site da Folha Online para se enviar textos e imagens relatando fatos para que sejam publicados junto do conteúdo do jornal. Há ainda o site G1 da rede Globo que permite com que seus visitantes façam comentários em algumas notícias, abrindo o espaço para discussão. A partir de todas essas possibilidades parece inquestionável que a Internet veio para democratizar a informação e permitir a participação coletiva da discussão dos temas do cotidiano. Então, a Internet seria o que viria para tornar a Liberdade de Expressão possível a qualquer cidadão. Mas, conforme colocado pelas questões explanadas pela professora, precisamos ser ainda mais críticos, visto que poucos têm acesso a computadores e ainda menos pessoas a Internet. Sendo assim, passo a me perguntar o que acredito também ser questionado por um grande grupo de pessoas que estudam a Comunicação Concordando que a Internet seja o novo espaço para a discussão pública: 1. Se os temas de relevância para a sociedade passam a ser discutidos na rede, não se estaria excluindo da discussão pública todas as pessoas que não têm acesso ao mundo digital? A partir disso, tenho algumas conclusões iniciais. Em minha opinião, para que essa democratização da informação na rede seja algo realmente possível é necessário que todos tenham acesso à rede. A partir daí teríamos realmente um espaço onde as pessoas poderiam publicar suas opiniões e participarem de discussões públicas. Vejo também que a rede o acesso à Internet se torna cada vez mais crucial para que se tenha acesso às informações necessárias para nossas vidas profissionais. Por essa razão, as pessoas que não têm acesso à Internet passam a ser ainda mais excluídas das informações necessárias para suas vidas. Então, a possibilidade de democratização da informação na rede, no meu entender, passa a ser mais uma forma de exclusão social. Ou seja, o que deveria democratizar exclui ainda mais.
2. A exclusão digital é também exclusão da economia digital.
3. A valorização da informação como capital total.
4. A apropriação das tecnologias como forma de uso influencia o modo através do qual as tecnologias são criadas e desenvolvidas.
5. Questão da educação a distância X apropriação.
6. Questões políticas e sociais do digital. Novas possibilidades e novos problemas.
2. Já que para ter acesso à informação é necessário de ter acesso à rede, não se estaria excluindo ainda mais essas pessoas sem contato com a Internet do acesso a informação?
Saturday, June 09, 2007
Não concordo
Os blogs são considerados por muitos como um novo espaço aberto à discussão pública. Os blogueiros estariam postando suas opiniões frente a alguns fatos e aguardando pelos comentários de seus amigos, leitores e internautas em geral, que viriam a fazer comentários opinando a favor, contra ou mesmo mediando frente à postagem dos blogueiros.
Essa questão me chamou a atenção quando estava lendo uma postagem que eu não concordava em um blog que costumo ler com certa freqüência e que de vez em quando faço comentários. Até esse dia então, o que eu lia nesse espaço seguia mais ou menos o que eu pensava. Então, logicamente os meus comentários eram sempre em concordância à opinião apresentada pelo blog. Apenas escrevia com a intenção de complementar com alguma idéia própria, quando julgava necessário que o assunto fosse mais explorado. Mas, confesso que em nenhum momento até então tinha discordado das opiniões apresentadas e que por isso nunca havia tido a necessidade de vir a comentar contrariando tal blogueiro.
Então, ocorreu que não fiz comentário algum. Apenas vi que não concordava com aquilo, mas não publiquei nada para expressar a minha opinião contrária. O fato é que não me senti confortável em publicar contrariando a opinião daquela pessoa por dois motivos: em primeiro lugar, temi a reação que a pessoa poderia ter ao ler minha opinião que ia contra a dela e; em segundo lugar, tive receio de publicar a minha opinião por pensar que também pudesse eu estar totalmente errado.
Normalmente sou muito forte em meus posicionamentos e dificilmente fujo de uma discussão [claro, desde que construtiva], mas isso se for presencialmente. No momento em que a minha opinião estaria ali discordando de alguém, documentada, para qualquer um poder contrariar-me e eu vir a perceber que estava totalmente errado, tive medo de posicionar-me.
A partir daí passei a verificar melhor os comentários dos blogs que eu costumo ler e percebi que quase todos, para não dizer todos, concordam com a opinião do blogueiro e seguem aquela linha de posicionamento de apenas acrescentar algo mais, mas em nenhum momento percebi alguma contrariedade.
O que concluo num primeiro momento é que esse espaço de “discussão” nos blogs é usado apenas para que as pessoas aumentem seus laços sociais e não, efetivamente, usado como um novo espaço para discussão pública. Claro que uma pesquisa aprofundada poderia desbancar facilmente isso que digo, mas é fácil também perceber que isso ocorre com certa freqüência.
Vou analisar isso mais aprofundadamente daqui para frente e voltar a postar a respeito. Pode até ser que mereça uma pesquisa, pois já faz algum tempo que penso em estudar os comentários que são feitos na Internet, sejam em blogs ou mesmo em outros sites que os possibilitam.
Mas, o que passarei a pensar mesmo desde agora é até que ponto eu posso vir ou não fazer comentários discordando. Claro, que essa postagem já deve contrariar o que penso, a partir do momento em que alguém faça um comentário discordando de mim. Mas, caso isso ocorra, peço que me aponte em outro blog o mesmo fato, já que penso que terá grande dificuldade em achar.
Então, você concorda? – Não! Então, me mostra. :p
Saturday, April 28, 2007
São Paulo nua e crua
Nesta última semana presenciei o resultado do fim de uma categoria de comunicadores. Falo do fim da mídia externa na cidade de São Paulo. Os painéis, outdoors e fachadas das empresas tiveram de se adequar à nova lei e foram retirados para não causar poluição visual na cidade. Realmente, a lei parece ter sido respeitada por quase todos, pois você não veria mais nenhuma mídia desse tipo nas ruas da capital paulistas não fosse a manutenção de uma única fachada que me soou como um afronto a qualquer brasileiro. As fachadas dos Mac Donald’s continuam lá “intocáveis”.
Agora, surgem duas questões que devemos dar atenção. Qual será afinal o interesse em eliminar a publicidade de São Paulo? Terá mesmo sido pelo motivo da poluição visual? E a grande questão é “Porque o Mac Donald’s continua lá?”.
Outra coisa, nesse assunto, que me chamou a atenção é que todas as propagandas sumiram. Mas todos os painéis (no sentido físico) continuam lá caindo aos pedaços, pois eles não têm mais manutenção. Isso, me gerou um questionamento e uma suposição. Primeiro, por que a prefeitura paulistana não mandou tirar as estruturas também e a suposição está ligada, exatamente, a esse questionamento. Irá a própria prefeitura explorar comercialmente esse espaço?
Mas, então o que vi foi uma cidade nua e com todas as suas “defeituosas saliências” à mostra. Um exemplo disse é quando passei por uma favela que antes ficava escondida atrás dos painéis. Está certo que não devemos deixar de olhar, mas que a cidade está mais feia está. Seja por favelas ou prédios mal cuidados.
Então, é só aguardar para vermos onde isso vai parar e, principalmente, se o Mac Donald’s muda também. Pois não podemos deixar que as nossas empresas (brasileiras) sejam regulamentadas por regras anticonsumistas enquanto as estrangeiras são protegidas.
Saturday, February 10, 2007
E agora... me formei e estou desempregado
Os comunicadores queixam-se muito do mercado de trabalho. Quando formados, logo dizem que estão desempregados e passam a lutar por uma vaga no mercado. As vagas para o ramo da Comunicação certamente são escassas, mas há alternativas para se exercer a profissão que não só nos tradicionais empregos do ramo.
O mercado para os jornalistas, por exemplo, vai além das redações de jornais, rádios e TVs. Pode-se trabalhar em empresas que passam a investir cada vez mais nos departamentos de comunicação. Esses setores deixam de ser simples assessorias de imprensa e passam a influenciar diretamente nas ações da empresa, desde o relacionamento com o cliente até a linha de produção.
O que parece ocorrer é que os formandos das faculdades de Comunicação se esquecem que não são apenas jornalistas ou publicitários, mas sim comunicadores.
Com o avanço da Web surgiu outro mercado em potencial para os comunicadores que é o desenvolvimento de sites e portais. As empresas precisam entrar na rede para garantir suas fatias no mercado e nada melhor do que os profissionais de comunicação para criar uma imagem a ser passada.
Na universidade se aprende diversas ferramentas e adquiri-se conhecimento suficiente para se produzir páginas para a Web numa linguagem correta. Pois, a linguagem passa a convergir diferentes mídias. Então, há nisso um bom mercado que deve ser melhor explorado pelos comunicadores.
O que vejo, não só na área de comunicação, são pessoas queixando-se da falta de empregos. Mas, vejo também que as vagas que não existem podem ser criadas pelos próprios profissionais, se mostrarem à necessidade do seu trabalho. Na verdade, se não há uma vaga no mercado deve-se criar a necessidade da tarefa para depois a vaga.
A profissão de comunicador pode ser exercida de diversas formas. Não se pode é bitolar-se nas tradicionais tarefas da profissão e achar que a comunicação gira apenas em torno dos jornais impressos, rádios e TVs.


